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quinta-feira, 17 de junho de 2010

CIDADANIA LX: QUANDO A TERRA TREMER#links

Vale a pena ver em:
CIDADANIA LX: QUANDO A TERRA TREMER#links

Deixo mais algumas dicas a este óptimo trabalho:
- Estudos recentes esclarecem que, para sismos mais graves, as melhores zonas de segurança não são debaixo das mesas ou das camas, mas sim, imediatamente ao seu lado; essa é a zona onde os objectos maiores, as próprias lajes, vigamentos, etc., apoiando nesses elementos, libertam uma pequena saliência entre si e o resto do pavimento.
Aí têm sobrevivido pessoas que ficariam esmagados pela compressão do que cai em cima, se estivessem debaixo das camas ou mesas.
Os destroços da cama são, por vezes, suficientes para criar uma diferença de altura, onde cabe, mesmo ao seu lado, a pessoa que se consegue salvar.

domingo, 25 de abril de 2010

Haiti: "Destruição é muito maior do que se vê na CNN" - Enviado especial Banco Mundial

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/10962874.html
Nova Iorque, 25 abr (Lusa) -- O enviado especial do Banco Mundial para o Haiti, o português Alexandre Abrantes, já esteve no país para apresentar credenciais às autoridades haitianas e diz que, apesar de sinais positivos, "a destruição é muito maior do que se vê na CNN".
"Já tinha visto na televisão, lido nos jornais, mas chegar lá é uma coisa que corta o coração. Toda a gente foi afetada. O presidente foi pessoalmente afetado, o primeiro-ministro, o ministro das Finanças perdeu o filho nos escombros da sua casa. É algo que toca a todos, é realmente uma destruição massiva", disse à Lusa Alexandre Abrantes, que esteve em Port-au-Prince na semana passada.
"A impressão é de que a destruição do terramoto é muito mais extensa do que se vê na CNN", afirma.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Haiti: ONU lançou site na Internet para supervisionar a utilização da ajuda

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/10951655.html
Port-au-Prince, 22 abr (Lusa) - A ONU anunciou quarta feira o lançamento do site www.refondation.ht, que deve permitir seguir a utilização dos 9,9 mil milhões de dólares prometidos pela comunidade internacional para reconstruir o Haiti, devastado por um sismo a 12 de janeiro.
Este site, atualizado pelo Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD) e pelo governo haitiano, destina-se "a garantir a utilização transparente e responsável" dos fundos prometidos na conferência dos doadores de Nova Iorque, do fim de março, indicou a ONU em comunicado.
"O sistema segue o dinheiro, da promessa (de doação) até à realização" dos projetos, referiu o texto.

Vulcão: Problemas causados pela erupção na Islândia devem alertar países com vulcões como Portugal

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/10947832.html
Lisboa, 22 abr (Lusa) - Os problemas causados pelo vulcão em erupção na Islândia devem ser acompanhados e servir de alerta para países com vulcões, como Portugal, defendeu Trusti Jónsson, do Instituto de Meteorologia islandês, em declarações à Lusa.
"Portugal, assim como outros países, devem estar alerta para os problemas associados às erupções vulcânicas", pois possui "vulcões de grandes dimensões nos Açores que têm grande probabilidade de entrar em erupção", disse Trusti Jónsson, numa entrevista por correio eletrónico.
O vulcão localizado no glaciar de Eyjafjallajokull, no sul da Islândia, entrou em erupção a 14 de abril, e lançou uma nuvem de cinzas de grandes dimensões para a atmosfera que obrigou ao encerramento do espaço aéreo em vários países europeus, provocando um caos sem precedentes na história da aviação civil.

Vulcão: Alterações climáticas podem desencadear erupções e sismos - estudos

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/10952585.html
Lisboa, 22 abr (Lusa) - As mudanças climáticas, como o aumento das temperaturas, podem desencadear erupções vulcânicas e outros incidentes geológicos como sismos e derrocadas, revela uma edição especial da revista Philosophical Transactions of the Royal Society A.
Num número exclusivamente dedicado aos efeitos geológicos das alterações climáticas apontam-se como possíveis consequências a derrocada de encostas, devido ao derreter da neve e do gelo, o crescimento da actividade sísmica, à medida que pequenos depósitos de gelo alteram a intensidade da pressão em vários locais do mundo, e o aumento da produção de magma devido a mudanças de pressão em vulcões subglaciares, como ocorreu recentemente na Islândia.
A 14 de abril, um vulcão localizado no glaciar de Eyjafjallajokull, no sul da Islândia, entrou em erupção e lançou uma nuvem de cinzas de grandes dimensões para a atmosfera que obrigou ao encerramento do espaço aéreo em vários países europeus, provocando um caos sem precedentes na história da aviação civil.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Simulacro: Portugal preparado para responder a situações de catástrofe

Leiria, 6 fev (Lusa) -- Portugal está preparado para enfrentar uma catástrofe, embora possam existir sempre surpresas no momento do acontecimento, adiantou à agência Lusa Wilson Moleiro, coordenador Pedagógico do curso de Pós-Graduação em Trauma, Emergência e Apoio Humanitário da Escola Superior de Saúde (ESSLei) de Leiria.
"Não existem planos perfeitos. A necessidade de realização destes simulacros indica que estamos melhor preparados. As estruturas hoje já dão uma boa resposta, até porque surge a necessidade deste tipo de formação enveredar pelo ensino superior", adiantou Wilson Moleiro, no final do simulacro, que decorreu nos terrenos junto ao Instituto Politécnico de Leiria.
(...)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Haiti/Sismo: O que aconteceu foi tão violento que só resta a esperança de fazer mais e melhor - Protecção Civil

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/10593812.html
Caracas, 26 Jan (Lusa) - O sismo do passado dia 12 no Haiti foi de tal violência que só nos resta a esperança de aprender com os erros do passado e reconstruir rapidamnete o país, defendeu o médico José Cunha da Cruz, dirigente da autoridade nacional de Protecção Civil de Portugal.
"Foi tão violento que só pode ter (como resultado) uma situação de esperança. Olhar para as feridas que ficam tem razão de ser, para que se aprenda a não cometer alguns erros que porventura agora sejam evidentes. Fundamentalmente, (importa) reconstruir rapidamente um país, permitir que as pessoas atinjam a normalidade e a funcionalidade da vida igual àquela que tinham ou melhor se possível" explicou.
José Cunha da Cruz falava na segunda-feira à Agência Lusa, em Caracas, pouco antes entrar no avião Hércules C-130 da Força Aérea Portuguesa que partiu do Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía rumo ao Haiti, com quase 12 toneladas de ajuda humanitária, incluindo medicamentos, alimentos, água e duas máquinas para purificar a água.
"São estes os objectivos da ajuda humanitária e da medicina de catástrofe em que cada caso é um caso. Depois das coisas acontecerem são sempre difíceis, mas são resolúveis. Portanto é apenas uma questão de tempo e neste caso particular do Haiti, de muito apoio que tem, seguramente, de vir do exterior, e a gestão dessa ajuda pelas entidades locais", frisou.
Por outro lado, referiu a importante ajuda da Embaixada de Portugal em Caracas, que conseguiu resolver os problemas e tornou possível que, depois de quase uma semana, a ajuda chegasse ao Haiti.
FPG.
Lusa/Fim

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Haiti/Sismo: Conselho de Segurança da ONU reúne-se na 2.ªfeira para analisar situação

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/10556812.html
Cidade do México, 17 Jan (Lusa) - O Conselho de Segurança das Nações Unidas reúne-se, na segunda-feira, para estudar a situação no Haiti, onde a amplitude do desastre causado pelo sismo da passada terça-feira "torna necessária uma acrescida presença internacional, sob coordenação da ONU".
A iniciativa da reunião partiu do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) mexicano, que em comunicado divulgado no sábado adianta que o secretário-geral da ONU participará no encontro. O México é membro não permanente do Conselho de Segurança.
A decisão de reunir o Conselho de Segurança "ao início da manhã de segunda-feira" foi tomada após "conversações entre os seus membros em coordenação com a China, na sua qualidade de presidente do Conselho, e por iniciativa do México", lê-se no comunicado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sismos: Plano de emergência para região de Lisboa publicado em Diário da República

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/10269333.html
23 de Outubro de 2009, 18:27

Lisboa, 23 Out (Lusa) - O Plano Especial de Emergência para o Risco Sísmico na Área Metropolitana de Lisboa e Conselhos Limítrofes (PEERS-AML), plataforma para responder aos danos provocados por um sismo, foi hoje publicado em Diário da República.

Concluído no passado dia 14 de Setembro com a aprovação na Comissão Nacional de Protecção Civil, o PEERS-AML é um instrumento de suporte ao sistema de protecção civil para a gestão operacional em caso de ocorrência de um sismo na região da Área Metropolitana de Lisboa.

O plano é uma "plataforma que se encontra preparada para responder organizadamente aos danos provocados por um evento sísmico", define a estrutura de coordenação, direcção, comando e controlo e regula a forma como é assegurada a coordenação institucional, articulação e intervenção das organizações integrantes do Sistema Integrado de Operações de Protecção e Socorro (SIOPS) e de outras entidades públicas ou privadas a envolver nas operações.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Indonésia/Sismo: Terminaram as buscas de sobreviventes, último balanço é de 1.100 mortos

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/10199107.html
Jacarta, 05 Out (Lusa) - As autoridades indonésias concluíram hoje as operações de busca de sobreviventes em Padang, cidade da ilha de Samatra onde milhares de pessoas estão desaparecidas após o forte sismo do 30 de Setembro, anunciou um responsável.
"As tentativas de encontrar sobreviventes terminaram na noite passada em Padang (cidade com um milhão de habitantes), mas continuam nas zonas rurais de acesso difícil", indicou o porta-voz dos serviços de assistência a catástrofes, Priyadi Kardono.
As autoridades consideram já não existir esperança de encontrar pessoas sob os escombros das centenas de edifícios destruídos pelo terramoto, entre os quais escolas e hotéis.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Itália/Sismo: Terminada buscas de sobreviventes nos escombros

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/9546011.html
12 de Abril de 2009, 10:56
Roma, 12 Abr (Lusa) - Todas as pessoas desaparecidas nos desabamentos causados pelo sismo na Itália já foram encontradas, na maioria mortas, pelo que as equipas de socorro deixaram hoje de procurar cadáveres, informou fonte dos bombeiros.
Os bombeiros não crêem que sob os escombros ainda estejam pessoas vivas, sete dias após o sismo, por considerarem que ninguém sobrevive em tais condições mais que cinco dias.
O actual balanço de vítimas do terramoto na região de Abruzos está estabelecido em 293 mortos, tendo os serviços de socorros retirado com vida dos escombros centena e meia de pessoas nos últimos dias.
As autoridades italianas mandaram abrir um inquérito para avaliar se a dimensão da tragédia se deveu a problemas técnicos de construção de edifícios, nomeadamente o não cumprimento dos procedimentos legais anti-sismos.
O jornal Corriere della Sera afirma hoje que as suspeitas sobre anomalias na construção podem ser uma realidade, tendo alguns peritos concluído que no caso do lar estudantil que desabou em Aquila os pilares foram fabricados com uma quantidade de ferro inferior ao que a lei obriga, razão de o edifício não ter resistido.
Um especialista, Alfredo Rossini, considerou hoje que muitos edifícios foram construídos com areia do mar (de custo inferior mas com salinidade que corrói o ferro das cofragens).
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, volta hoje a Aquila para passar a Páscoa com os desalojados.
JMS.
Lusa/Fim

domingo, 12 de abril de 2009

Sismo em Itália


http://jn.sapo.pt/Dossies/dossie.aspx?content_id=1194836&dossier=Sismo%20em%20It%E1lia
JN 2009-04-08 MIGUEL CONDE COUTNHO, em Aquila
As pernas tremem por segundos e depois é o pânico
O dia seguinte ao sismo ainda é de sobressalto. As réplicas que se fazem sentir não deixam ninguém descansado. Quem sobreviveu quer esquecer.
Vêm sem avisar, duram três ou quatro segundos e espalham o pânico generalizado. As cópias não são da dimensão do original, mas, ainda assim, as réplicas do sismo que esta segunda-feira sacudiu a região italiana de Abruzzo são suficientemente agressivas para não deixar nada nem ninguém no mesmo lugar durante muito tempo.
As pernas tremem, ao ritmo das oscilações da terra, e os gritos de pânico generalizam-se. Ontem, uma destas réplicas provocou um morto. O silêncio irrompe, depois, porque ninguém sabe muito bem o que dizer, como reagir.
O mesmo silêncio que rivaliza com as lamúrias de desespero de todos quantos vagueiam por entre os escombros e nos campos improvisados que as autoridades montaram nas imediações, à procura ora de amigos, ora de familiares. Ou simplesmente à procura de um porquê.
Paolo, 23 anos, é apenas um deles. Este jovem italiano perdeu um amigo para o amontoado de pedras e ferros. Está preso no escuro. Agarrado ao prato de massa, olhos carregados, diz não saber se há-de ter esperança. "Vi a casa de alguns amigos meus cair à frente dos meus olhos", conta. Sempre viveu em Aquila com os pais. Acabou por ter sorte. A casa onde vive não sofreu muitos danos. Os pais estão bem, mas dormem numa das tendas.
Há famílias inteiras que tentam comer o que lhes é dado pelas equipas de socorro. Vive-se uma tranquilidade possível. O silêncio é apenas cortado pelos geradores de elctricidade, espalhados um pouco por todo o campo para alimentar os fortes holofotes que iluminam as cerca de 100 tendas de campanha azuis onde dormem os que já conseguem dormir. Os outros, macambúzios, caminham sem destino. Há gente em pijama, há desgraçados abraçados a mochilas.
Mas as histórias felizes são facilmente ofuscadas pelas tragédias que se vão desenterrando entre os escombros. Também ontem, as equipas de resgate encontraram os cadáveres dos quatro jovens que haviam desaparecido numa residência estudantil da cidade. "Estão mortos. É uma tragédia", afirmou o reitor da Universidade de Aquila, Ferdinando di Orio. Com estas vítimas, estimam-se que 235 pessoas tenham morrido em consequência do terremoto, de 5,8 graus na escala Richter, que assolou Abruzzo. Os feridos rondam os 1500, 100 dos quais em estado considerado grave. E há ainda 34 desaparecidos.
"É um desastre sério. Agora nós devemos reconstruir e isso exigirá grandes quantias de dinheiro", anuiu o primeiro-ministro, Sílvio Berlusconi, cujo Governo já enfrenta um alto défice e uma grande dívida pública.
Aquila foi abalada também de outra forma. A ajuda demora a chegar porque a geografia se alterou profundamente. As linhas de autocarro estão cortadas. O comboio que parte de Roma não vai além de Terni, cidade a cerca 80 quilómteros da cidade que concentrou a tragédia. Aquila esconde-se por detrás de uma estrada sinuosa, que corta montanhas que parecem nunca acabar. Para lá, poucos querem ir. Só passam ambulâncias, carros da polícia e de bombeiros.
Num dos campos de apoio, o maior dos improvisados, cerca de mil deslocados são ajudados por centenas de voluntários da Protecção Civil italiana que trabalham sem descanso. Matteo, um dos voluntários, fez questão de dizer ao JN há quantas horas está em Aquila: 47. Descansou menos de uma. "É impossível descansar, porque as tendas são para as pessoas. Nós não temos onde dormir", desabafa. O mais provável é que durma com os colegas na pickup que os trouxe.

Areia do mar com cimento terá fragilizado construções recentes

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1199326
JN 2009.04.12
"Por que é que no sismo de Abruzzo caíram tantas casas construídas recentemente?"
Uma adolescente chorava para lá da fita de protecção que previne a entrada numa das zonas vedadas de Coppito. Esperava à porta de casa pelos seus pais. Tinham finalmente conseguido autorização para entrar e buscar alguns dos seus pertences. O resgate teve de ser rápido. Trouxeram três sacos de plástico com roupa, alguma comida e duas televisões.
A casa praticamente não sofreu danos. E nem assim há autorização para o ansiado regresso definitivo. "Talvez daqui a um mês ou dois", disse ao JN Loretta Archangeli, incorfomada. O risco de colapso, dizem as autoridades, é real. "Por que é que no sismo de Abruzzo caíram tantas casas construídas recentemente?", perguntava-se ontem no matutino italiano "Corriere della Serra".
O sismo deixou a nu os defeitos de construção dos edifícios da região, que supostamente desde 1980 deveriam ser à prova de sismo. Foi encontrada nos escombros areia do mar misturada com cimento, cujo sal terá corroído, e assim fragilizado, as estruturas de algumas das casas.

Os amanhãs não cantam em Aquila

MIGUEL CONDE COUTINHO
Mais de 24 mil pessoas estão a sofrer o drama de terem perdido tudo. Os custos de reconstrução estão avaliados em 3 mil milhões de euros. Contudo, há muitas dúvidas e muito receio quanto ao futuro da região.
Não sabemos como será viver assim sem outra escolha, quando antes se tinha tudo. Dormir dentro de uma tenda com mais seis ou quinze pessoas que não se conhece.
Ter de esperar em longas filas para tomar o pequeno-almoço, para almoçar e para jantar. Ter de pedir papel higiénico.
Ter de usar as casas de banho de plástico sujas e nauseabundas partilhadas com outras mil pessoas. Ter de tomar banho em duches comuns. Ter de comer em bancos de jardim ou no chão.
Não ter roupa própria ou sequer pasta de dentes. Não por um fim-de-semana de férias, como Silvio Berlusconi chegou a dizer numa tirada infeliz, esta quarta-feira, mas por tempo indeterminado, sem saber quando se poderá voltar a sentar no nosso sofá ou cozinhar a nossa comida.
Pior ainda, ter de suportar a perda de um filho, de uma mãe ou de um amigo longe do conforto das nossas coisas, longe das paredes que guardam as memórias que nos dão alento.
São cerca de 24 mil as pessoas que vivem assim na região de Abruzzo, depois do sismo que arrasou, na segunda-feira, aldeias inteiras, destruiu monumentos históricos e parou o coração de Aquila, deixando para trás ruas cobertas de pedras e poeira, casas sujeitas a saques, negócios fechados, cidades sem água, luz ou esperança. Numa espécie de campos de refugiados, em plena Europa.
Não sabemos quanto tempo durarão as forças dos milhares de bombeiros, polícias e voluntários que vieram para Aquila logo nas horas seguintes ao primeiro abalo e que trabalharam sem parar para servir, ajudar e salvar dos escombros os que resistiram.
Que montaram centenas de tendas, que organizaram os campos e que dormiram esacassas horas em camiões, ambulâncias ou carrinhas.
Que protegeram dos olhares forçados pela curiosidade mórbida os que queriam apenas privacidade.
Tudo isto enquanto o chão voltava a tremer, uma e outra vez, lançando novamente o pânico, os gritos e a "paura", o medo, a palavra mais falada pelos italianos de Abruzzo durante uma semana de caos.
Morreram 291 pessoas. Centenas ficaram feridas. Houve um funeral em que foram enterrados 205 caixões. Alguns dos sobreviventes encontraram conforto em Deus, foram às capelas improvisadas dentro dos campos.
Agradeceram, através dos padres que se espalharam pela região, o milagre de estarem vivos e falaram de um novo sentido para a vida.
Outros concentraram-se nos seus filhos, nas crianças que corriam por todo o lado, exibindo os únicos sorrisos que se viram durante estes dias, alheias ao ambiente triste que as rodeava totalmente.
Uma semana após o sismo que tudo mudou em Aquila, ainda não se sabe o que fazer com estas pessoas.
Os custos de uma reconstrução estão estimados em 3 mil milhões de euros. Silvio Berlusconi disse na sexta-feira que iria oferecer algumas das suas casas mas, mesmo sendo o primeiro-ministro também o segundo homem mais rico de Itália, serão certamente insuficientes para tantos desalojados.
Há medo que a Máfia, como já aconteceu no passado em Itália, desvie os fundos disponibilizados para as ajudas.
Há medo que os campos, agora de emergência, se transformem em residências permanentes assim que a atenção mediática desapareça.
Há medo do futuro. Os amanhãs não cantam em Aquila.

Sismo em Itália (Mais Fotos Jornal "SOL")
















Sismo em Itália (Fotos Jornal "SOL")
















Sismo em Itália - Fotos Jornal "SOL"














Número de mortos sobe para 291
O balanço de vítimas do sismo de segunda-feira em Itália, que castigou sobretudo a cidade de Aquila (centro) e arredores, é agora de 291 mortos depois de ter sido encontrado mais um cadáver, informou fonte dos bombeiros.

Buscas intensas têm estado a ser feitas desde sexta-feira nos escombros de um edifício de quatro andares no centro da cidade de Aquila após terem sido detectados «sinais de vida» por um aparelho técnico e por cães especializados.
«É um trabalho demorado e muito difícil, mas estes sinais indicaram a possibilidade de haver ali um ser vivo, seja pessoa ou animal», explicou o porta-voz do serviço de bombeiros, Luca Cari, em declaração à cadeia de televisão Sky TG24.
As buscas para socorrer eventuais sobreviventes deve terminar domingo, uma semana após o violento tremor de terra que abalou a região de Abruzzo, no centro do país, na segunda-feira.
O cadáver agora encontrado é de uma mulher, disse a mesma fonte.